Senti nos últimos dois dias uma inveja gigante.
Ao ler um livro que mais adiante vos direi o nome, os meus pensamentos foram invejosos, dava tudo para ter sido eu a escrever aquilo!
Numa linguagem fácil, com uma clarividência invejável, Amos Oz fala-nos de fanatismo, de compromissos e do conflito Israelo-Árabe de uma forma notável, pela sua simplicidade mas acima de tudo pela sua clarividência e profundo conhecimento da Condição Humana.
Sendo eu uma criatura de consensos, acreditando na racionalidade como forma de resolução de problemas, e apaixonada pelo humor e pela imaginação, fiquei muito satisfeita com a comunhão de ideias que senti ao ler este senhor.
Falando de fanatismo, e só para aguçar a curiosidade:
"A essência do fanatismo reside no desejo de obrigar os outros a mudar. Nessa tendência tão comum de melhorar o vizinho, corrigir a esposa, de fazer o filho engenheiro ou endireitar o irmão, em vez de deixá-los ser. O fanático é uma das mais generosas criaturas. O fanático é um grande altruísta. Está mais interessado nos outros do que em si próprio. Quer salvar a nossa alma, redimir-nos. Livrar-nos do pecado, do erro, do tabaco, da nossa fé ou da nossa carência de fé."
Não vou transcrever as três conferências que estão compiladas num livrito pequenino que se chama "contra o fanatismo", mas leiam que vale a pena.
Espero gostem e comentem.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

E cá estou eu novamente.
Foi numa terrinha pequena plantada á beira do rio Guadiana, chamada Alcoutim, que passei o fim de ano.
Alcoutim é uma terra pacata, que tem aparentemente um único cidadão interessado no seu progresso turístico, o Sr. Luis, um grande bem haja para ele, que nos alimentou a todos durante a nossa estadia, apesar de ser fim de ano!
Pelo que pudemos perceber em Alcoutim não é suposto trabalhar-se no fim de ano.
Ninguém não, trabalha o Sr Luis e os seus colaboradores.
Isto pensava eu até hoje, dia em que descobri que o Sr Luis não era o único trabalhador afincado nesta época!
Recebi uma carta da GNR de Alcoutim, ainda tive esperança que fosse apenas um cartão de Boas Festas, mas não, era mesmo uma multita!
Não, não foi excesso de velocidade, nem sequer foi um excesso.
Aparentemente a zelosa GNR de Alcoutim encontrou o meu carro (o único da rua) num estacionamento de táxis!
Aprendi assim que:
1. GNR de Alcoutim trabalha, mesmo no fim de ano,
2. Alcoutim tem estacionamento para táxis
Resta saber se Alcoutim tem táxis!
Durante a nossa curta e ruidosa estadia acho que não vimos nenhum, mas...se os táxis são mesmo de Alcoutim, também não trabalham no fim de ano e assim sendo é mais que natural que os não tenha visto.
Mas mesmo com multa e tudo, valeu a pena.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
Poemas para recordar
A Senhora de Brabante
Tem um leque de plumas gloriosas,
na sua mão macia e cintilante,
de anéis de pedras finas preciosas
a Senhora Duquesa de Brabante.
Numa cadeira d'espaldar dourado,
escuta os galanteios dos barões.
- É noite: e, sob o azul morno e calado,
concebem os jasmins e os corações.
Recorda o senhor Bispo acções passadas.
Falam damas de jóias e cetins.
Tratam barões de festas e caçadas
à moda goda: - aos toques dos clarins.
Mas a Duquesa é triste.
- Oculta mágoa vela seu rosto de um solene véu.
- Ao luar, sobre os tanques chora a água...
– Cantando, os rouxinóis lembram o céu...
Dizem as lendas que Satã
vestido de uma armadura feita de um brilhante,
ousou falar do seu amor florido
à Senhora Duquesa de Brabante.
Dizem que o ouviram ao luar nas águas,
mais louro do que o sol,
marmóreo e lindo, tirar de uma viola estranhas mágoas,
pelas noites que os cravos vêem abrindo...
Dizem mais que na seda das varetas
do seu ducal de mil matizes...
Satã cantara as suas tranças pretas,
– e os seus olhos mais fundos que as raízes!
Mas a Duquesa é triste.
- Oculta mágoa vela seu rosto de um solene véu.
- Ao luar, sobre os tanques chora a água...
– Cantando, os rouxinóis lembram o céu...
O que é certo é que a pálida Senhora,
a transcendente Dama de Brabante,
tem um filho horroroso...
e de quem cora o pai, no escuro, passeando errante.
É um filho horroroso e jamais visto!
- Raquítico, enfezado, excepcional,
todo disforme, excêntrico, malquisto,
– pêlos de fera, e uivos de animal!
Parece irmão dos cerdos ou dos ursos,
aborto e horror da brava Natureza...
– Em vão tentam barões, com mil discursos,
desenrugar a fronte da Duquesa.
Sempre a Duquesa é triste.
- Oculta mágoa vela seu rosto de um solene véu.
- Ao luar, sobre os tanques chora a água...
– Cantando, os rouxinóis lembram o céu...
Ora o monstro morreu.
- Pelas arcadas do palácio retinem festas, hinos.
Riem nobres, vilões, pelas estradas.
O próprio pai se ri, ouvindo os sinos...
Riem-se os monges pelo claustro antigo.
Riem vilões, trigueiros das charruas.
Riem-se os padres, junto ao seu jazigo.
Riem-se nobres e peões nas ruas.
Riem aias, barões, erguendo os braços.
Riem, nos pátios, os truões também.
Passeia o duque, rindo, nos terraços.
- Só chora o monstro, em alto choro, a mãe!..
Só, sobre o esquife do disforme morto,
chora, sem trégua, a mísera mulher.
Chama os nomes mais ternos ao aborto...
– Mesmo assim feio, a triste mãe o quer!
Só ela chora pelo morto!..
A mágoa lhe arranca gritos que a ninguém mais deu!
- Ao luar, sobre os tanques chora a água...
– Cantando, os rouxinóis lembram o céu...
Gomes Leal
Tem um leque de plumas gloriosas,
na sua mão macia e cintilante,
de anéis de pedras finas preciosas
a Senhora Duquesa de Brabante.
Numa cadeira d'espaldar dourado,
escuta os galanteios dos barões.
- É noite: e, sob o azul morno e calado,
concebem os jasmins e os corações.
Recorda o senhor Bispo acções passadas.
Falam damas de jóias e cetins.
Tratam barões de festas e caçadas
à moda goda: - aos toques dos clarins.
Mas a Duquesa é triste.
- Oculta mágoa vela seu rosto de um solene véu.
- Ao luar, sobre os tanques chora a água...
– Cantando, os rouxinóis lembram o céu...
Dizem as lendas que Satã
vestido de uma armadura feita de um brilhante,
ousou falar do seu amor florido
à Senhora Duquesa de Brabante.
Dizem que o ouviram ao luar nas águas,
mais louro do que o sol,
marmóreo e lindo, tirar de uma viola estranhas mágoas,
pelas noites que os cravos vêem abrindo...
Dizem mais que na seda das varetas
do seu ducal de mil matizes...
Satã cantara as suas tranças pretas,
– e os seus olhos mais fundos que as raízes!
Mas a Duquesa é triste.
- Oculta mágoa vela seu rosto de um solene véu.
- Ao luar, sobre os tanques chora a água...
– Cantando, os rouxinóis lembram o céu...
O que é certo é que a pálida Senhora,
a transcendente Dama de Brabante,
tem um filho horroroso...
e de quem cora o pai, no escuro, passeando errante.
É um filho horroroso e jamais visto!
- Raquítico, enfezado, excepcional,
todo disforme, excêntrico, malquisto,
– pêlos de fera, e uivos de animal!
Parece irmão dos cerdos ou dos ursos,
aborto e horror da brava Natureza...
– Em vão tentam barões, com mil discursos,
desenrugar a fronte da Duquesa.
Sempre a Duquesa é triste.
- Oculta mágoa vela seu rosto de um solene véu.
- Ao luar, sobre os tanques chora a água...
– Cantando, os rouxinóis lembram o céu...
Ora o monstro morreu.
- Pelas arcadas do palácio retinem festas, hinos.
Riem nobres, vilões, pelas estradas.
O próprio pai se ri, ouvindo os sinos...
Riem-se os monges pelo claustro antigo.
Riem vilões, trigueiros das charruas.
Riem-se os padres, junto ao seu jazigo.
Riem-se nobres e peões nas ruas.
Riem aias, barões, erguendo os braços.
Riem, nos pátios, os truões também.
Passeia o duque, rindo, nos terraços.
- Só chora o monstro, em alto choro, a mãe!..
Só, sobre o esquife do disforme morto,
chora, sem trégua, a mísera mulher.
Chama os nomes mais ternos ao aborto...
– Mesmo assim feio, a triste mãe o quer!
Só ela chora pelo morto!..
A mágoa lhe arranca gritos que a ninguém mais deu!
- Ao luar, sobre os tanques chora a água...
– Cantando, os rouxinóis lembram o céu...
Gomes Leal
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
o "Ar" com que se fala
O "ar com que se fala" é tão importante como o que se diz!
Disseram-me um dia perante a minha incapacidade de disfarçar a insegurança.
Achei estranho, querem lá ver que o que importa é "o ar"? granda merda, como é que vou arranjar um "ar"? Lá estudar...eu ainda sei como é que se faz, agora arranjar um "ar"...
Os anos passaram, lá fui disfarçando a insegurança como pude, e não voltei a pensar neste assunto.
Alguns anos depois voltei a ser novamente confrontada com essa coisa do "ar".
Estando a "não ouvir" um colega falar sobre um assunto (os conhecimentos do orador na matéria em questão eram óbviamente parcos) , segredam-me ao ouvido "Sabes que este gajo é que vai fazer os acordos com as empresas que fornecem isto, a nível nacional?" " Porra mas o gajo não percebe nada disto!" respondo eu com o meu "ar" indignado.
Ao que o interlocutor, mais atento e experiente me responde: "Eh pá parece que és parva, claro que o tipo está bem relacionado mas já reparaste bem no ar com que fala?"
Comecei a olhar mais atentamente a criatura, era verdade, disparava frases sem interesse com um discurso de tipo doutoral, de cátedra.
Sem vergonha, sem pudor, sem ciência, apenas com um fantástico e inimitável "ar".
Agora, mais atenta que tenho andado a este fenómeno, posso afiançar, é mesmo verdade!
O que importa, na maioria das vezes, é o que parece.
Ninguém se pode dar ao luxo de simplesmente...ser.
Claro que os "bons relacionamentos" têm também um papel muito importante!
Penso que merecem mesmo um post dedicado especificamente a essa instituição nacional que é a "cunha".
Fica para a próxima.
Disseram-me um dia perante a minha incapacidade de disfarçar a insegurança.
Achei estranho, querem lá ver que o que importa é "o ar"? granda merda, como é que vou arranjar um "ar"? Lá estudar...eu ainda sei como é que se faz, agora arranjar um "ar"...
Os anos passaram, lá fui disfarçando a insegurança como pude, e não voltei a pensar neste assunto.
Alguns anos depois voltei a ser novamente confrontada com essa coisa do "ar".
Estando a "não ouvir" um colega falar sobre um assunto (os conhecimentos do orador na matéria em questão eram óbviamente parcos) , segredam-me ao ouvido "Sabes que este gajo é que vai fazer os acordos com as empresas que fornecem isto, a nível nacional?" " Porra mas o gajo não percebe nada disto!" respondo eu com o meu "ar" indignado.
Ao que o interlocutor, mais atento e experiente me responde: "Eh pá parece que és parva, claro que o tipo está bem relacionado mas já reparaste bem no ar com que fala?"
Comecei a olhar mais atentamente a criatura, era verdade, disparava frases sem interesse com um discurso de tipo doutoral, de cátedra.
Sem vergonha, sem pudor, sem ciência, apenas com um fantástico e inimitável "ar".
Agora, mais atenta que tenho andado a este fenómeno, posso afiançar, é mesmo verdade!
O que importa, na maioria das vezes, é o que parece.
Ninguém se pode dar ao luxo de simplesmente...ser.
Claro que os "bons relacionamentos" têm também um papel muito importante!
Penso que merecem mesmo um post dedicado especificamente a essa instituição nacional que é a "cunha".
Fica para a próxima.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Sair da clandestinidade
Pois bem, esta coisa de construir um blogue e depois não o dar a conhecer a ninguém é um nadinha disparatado, por isso, hoje resolvi deixar de ser "anónimo" no meu blogue favorito e assumir o estatuto de "aspirante a blogueira"!
Como é bom de ver este tem sido um blogue verdadeiramente autista, mas o tempo é pouco...
Bom, o que interessa é que saí da clandestinidade, agora quem quiser pode vir aqui de vez em quando ler os disparates que vou escrevendo...se não tiver mesmo nada melhor para fazer.
Mas hoje só vim aqui para fazer "propaganda" a um espaço que abriu na antiga fábrica de Braço de Prata e que se chama "Ler devagar", é uma continuação da livraria com o mesmo nome que havia no Bairro Alto.
Agora é um espaço grande, com muitos livros, salas com exposições, concertos, uma loja do "Comércio Justo" e muito mais. Ainda só conheço de forma virtual, mas já agendei a visita para o fim de semana.
Voltarei em breve, estejam atentos :)
Como é bom de ver este tem sido um blogue verdadeiramente autista, mas o tempo é pouco...
Bom, o que interessa é que saí da clandestinidade, agora quem quiser pode vir aqui de vez em quando ler os disparates que vou escrevendo...se não tiver mesmo nada melhor para fazer.
Mas hoje só vim aqui para fazer "propaganda" a um espaço que abriu na antiga fábrica de Braço de Prata e que se chama "Ler devagar", é uma continuação da livraria com o mesmo nome que havia no Bairro Alto.
Agora é um espaço grande, com muitos livros, salas com exposições, concertos, uma loja do "Comércio Justo" e muito mais. Ainda só conheço de forma virtual, mas já agendei a visita para o fim de semana.
Voltarei em breve, estejam atentos :)
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Dificuldades
Hoje estou cansada, deprimida, farta, cheia, triste...
A ideia de entrar de serviço deixou-me súbitamente cansada.
Não costumo ser assim.
Gosto do que faço. Orgulho-me de o tentar fazer bem.
Se calhar estou mesmo cansada, não de trabalhar, mas de assistir, ano após ano, mês após mês, governo após governo, na tal "alternância democrática", às mesmas merdas, feitas da mesma forma, pelos mesmos gajos, vestidos de cores ligeiramente diferentes!
São sempre senhores/as, mais ou menos bem-falantes (há uns que nem isso!), mas...vazios de conteúdo? incompetentes? pouco preocupados com o próximo? todas as anteriores?
Falam com facilidade do que não sabem, com ar de doutoures na matéria, decidem sobre assuntos que não entendem e, last but not least, gastam de uma forma indesculpável o dinheiro dos contribuintes.
Será que tem mesmo que ser assim?
Eh lá! Querem lá ver que até sou capaz de me zangar?
Zango-me com "eles", entristeço-me comigo.
CM
A ideia de entrar de serviço deixou-me súbitamente cansada.
Não costumo ser assim.
Gosto do que faço. Orgulho-me de o tentar fazer bem.
Se calhar estou mesmo cansada, não de trabalhar, mas de assistir, ano após ano, mês após mês, governo após governo, na tal "alternância democrática", às mesmas merdas, feitas da mesma forma, pelos mesmos gajos, vestidos de cores ligeiramente diferentes!
São sempre senhores/as, mais ou menos bem-falantes (há uns que nem isso!), mas...vazios de conteúdo? incompetentes? pouco preocupados com o próximo? todas as anteriores?
Falam com facilidade do que não sabem, com ar de doutoures na matéria, decidem sobre assuntos que não entendem e, last but not least, gastam de uma forma indesculpável o dinheiro dos contribuintes.
Será que tem mesmo que ser assim?
Eh lá! Querem lá ver que até sou capaz de me zangar?
Zango-me com "eles", entristeço-me comigo.
CM
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Regressei de uma espécie de faz de conta.
Fiz de conta que era marujo durante 5 dias.
Isto de ser marujo tem o que se lhe diga, não é tarefa fácil, as faxinas, as latrinas, os quartos (linguagem marinheira para dizer:4 horas de trabalho), o balanço, enfim, toda uma vidinha diferente com alguma dureza mas envolta do mistério que é o mar e regada com a possibilidade de apenas, observar.
Lá, nesse sítio, a horripilante pulseira electrónica a que chamamos carinhosamente telemóvel, não funciona, e aqui entre nós mesmo que funcionasse...mantive-me estratégica e"oficialmente", sem rede!
Os computadores e televisões também ficaram em casa.
Uns livritos para os menos mareados foi o melhor que se arranjou, de resto foi apenas trabalho marinheiro, sentir a vida, conversar muito, rir bastante.
Inacreditávelmente resultou tão bem que na volta à faina da vida real, todos suspiramos pelo apito da faina marinheira.
Mas a ideia deste blogue tem pouco a ver com vida de marinheiro, tem como objectivo primário, o desabafo, já agora porque não partilhá-lo e "escutar" as vossas opiniões sobre os desaires da existência de um afincado técnico de saúde.
E, no regresso da curta ausência, cumpre-me informar que...está tudo na mesminha.
O mesmo local de trabalho mal cheiroso, os mesmos pacientes , ora mais um termo mal aplicado, já não há nem pacientes, nem doentes, há utentes, esta nova terminologia, é claramente mais adequada, mais igualitária, mais democrática, porque diabo é que se chamava doentes às pessoas? Com que direito?
Os alunos que se ponham já em campo para reclamar!
"queremos ser utentes da escola e não alunos!" (designação totalitária e ostracizante)
Fiz de conta que era marujo durante 5 dias.
Isto de ser marujo tem o que se lhe diga, não é tarefa fácil, as faxinas, as latrinas, os quartos (linguagem marinheira para dizer:4 horas de trabalho), o balanço, enfim, toda uma vidinha diferente com alguma dureza mas envolta do mistério que é o mar e regada com a possibilidade de apenas, observar.
Lá, nesse sítio, a horripilante pulseira electrónica a que chamamos carinhosamente telemóvel, não funciona, e aqui entre nós mesmo que funcionasse...mantive-me estratégica e"oficialmente", sem rede!
Os computadores e televisões também ficaram em casa.
Uns livritos para os menos mareados foi o melhor que se arranjou, de resto foi apenas trabalho marinheiro, sentir a vida, conversar muito, rir bastante.
Inacreditávelmente resultou tão bem que na volta à faina da vida real, todos suspiramos pelo apito da faina marinheira.
Mas a ideia deste blogue tem pouco a ver com vida de marinheiro, tem como objectivo primário, o desabafo, já agora porque não partilhá-lo e "escutar" as vossas opiniões sobre os desaires da existência de um afincado técnico de saúde.
E, no regresso da curta ausência, cumpre-me informar que...está tudo na mesminha.
O mesmo local de trabalho mal cheiroso, os mesmos pacientes , ora mais um termo mal aplicado, já não há nem pacientes, nem doentes, há utentes, esta nova terminologia, é claramente mais adequada, mais igualitária, mais democrática, porque diabo é que se chamava doentes às pessoas? Com que direito?
Os alunos que se ponham já em campo para reclamar!
"queremos ser utentes da escola e não alunos!" (designação totalitária e ostracizante)
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