quinta-feira, 20 de março de 2008

Somos um país de novos ricos

O clima nacional é no mínimo, confuso.
Não cumprimos os requisitos necessários para sair do terceiro mundo mas comportamo-nos como se fizessemos parte de uma elite, acima de qualquer primeiro mundo (seja lá o que isso for).
É engraçado (ou não) analisar, por exemplo, a frota automobilistica dos nossos governantes (e temos bué governantes!) depois entrar no local onde trabalho e constatar que:
se despedem secretárias, porque não há dinheiro,
não há obras, porque não há dinheiro,
há cada vez menos médicos, menos pessoal de enfermagem e auxiliar, porque não há dinheiro.
Em contrapartida, temos uma frota cada vez maior de:
consultores (= espécie que trabalha pouco mas é bem paga porque são muito inteligentes e sabem coisas que nós nunca iríamos descobrir se eles não existissem),
computadores (que nascem como cogumelos nos hospitais)
informática do mais elevado nível (dizem),
relógios de ponto digitais às centenas (pronto tá bem, não falo mais nestes),
e a lista do que orgulhosa e ricamente temos pode seguir por aí fora, em paralelo com a lista do que não temos porque...não há dinheiro.
Mas este "novo riquismo" não é um problema hospitalar, é um problema nacional.
A minha filha anda numa escola pública no centro da cidade, eu não sou uma presença muito assídua na escola, mas depois de algumas descrições (que tenho que confessar desvalorizei um pouco), achei que devia ver.
E o que vi?
Salas enfeitadas com coloridos balditos para aparar a água, feltros nas carteiras e corredores para ensopar a água, casas de banho que por decoro não vou descrever, um edificio em lastimoso estado de conservação, os vidros rachados, os laboratórios são...hum, muuuiiitttooo antigos?
Na reunião que se seguiu à minha excursão, ouvi a explicação dada pelos professores para o facto: que não há dinheiro no Ministério da Educação para "socorrer"estas coisas.
Ora o que também é um exercicio interessante é entrar nos ministérios e instituições paralelas e ver que catitas são as salas, as cadeiras, os ares condicionados e vidros duplos, enfim instalações dignas de um país de abundância e prosperidade!
Atão??? Afinal somos pobres e temos que aceitar as condições deficitárias ou somos ricos e dá para tudo?
Não entendo bem mas, especialistas no assunto já me tentaram explicar que isto tem que ver com a Imagem (=nomenclatura moderna para parecer qualquer coisa)
É muito importante para o bem estar nacional que este tipo de instituições (ministérios, institutos e afins) tenham instalações decentes e bem cuidadas para "quando vem alguém de fora" ... os governantes e gestores tenham carritos jeitosos, para quando transportam os "estrangeiros"...
Eu não sou especialista na matéria mas esta coisa da Imagem parece-me estar intimamente relacionada com o tal de "novo riquismo" nacional, o que importa é parecer!
Lendo coisas antigas como alguns textos do Eça, dá para perceber que este "novo riquismo" tão português, já é antigo e tem raizes muito profundas, mas será que não pode mudar nunca?
Como é bom de perceber, hoje o dia não correu bem.
A falta de recursos associada à inépcia e ausência de senso de quem manda, quase me enlouqueceram.

6 comentários:

S. disse...

lol, adorei o comentário aos consultores. Também não entendo muito bem o que fazem essas cabeças iluminadas e supostamente cheias de experiência!

Há vários anos decidi ir jogar vólei no liceu onde agora anda o teu rebento. E já nessa altura (...12 anos? credo!) achei o local decadente. Lembro-me de ter ficado muito impressionada com as paredes esfareladas e, principalmente, com as casas-de-banho!! Penso que os vidros partidos também devem ser os mesmos desde essa altura (logo por trás das grades cheias de ferrugem, não é?). Não devem ter mudado um milimetro. E com o tempo, já se sabe, a coisa não tende a melhorar.

Mais ou menos por essa altura também, tive um professor de Português que insistia em analisar a sua problemática favorita: "o ser e o parecer" em diversos poemas escolhidos por si. Entediava-me um bocado estar sempre a bater na mesma tecla mas agora até me ocorre que o senhor talvez tivesse alguma visão. "o ser e o parecer" pode muito bem ser o tema mais moderno destes tempos modernos...

Gostei deste post. :D

bjs

José Ruah disse...

Por onde anda ?

Nem umas linhas para animar a malta ?

To be or not to be disse...

Eu apostaria em dizer que estas a falar do liceu Filipa de Lencastre.

Jose Ruah disse...

Mudança de visual !!!

Pode ser que apareçam novos textos.
Ja fazem falta !!!

sara disse...

qualquer coisinha para o pessoal?....

umas migalhitas?......

seguimos atentos, como vês.

;)

Jose Ruah disse...

Mais uma mudança de visual !
Ao menos isso !!

Mas um escrito ( por pequeinito que fosse) sempre era uma epecie de bombom.